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Adrenalina

Paixão pelo radical 

Muita adrenalina na terra, na água e no ar.

 Daniane Gambaroto dgambaroto@yahoo.com.br

Thiane Mendieta  thimendieta@hotmail.com

      Há quem não se meta a praticar esportes radicais. Há aqueles que dizem que nunca irão se arriscar e cedem, e também os corajosos, mas não apenas a coragem. Nesta área segurança é primordial na escolha da atividade a ser praticada.
Quando se trata de esportes radicais, a cidade de Brotas localizada à 235 km da capital de  São Paulo, é referência. Rafting, rapell, boiacross, trilhas e tirolesas gigantescas são algumas das alternativas encontradas por lá.


     A estudante Erika Mesquita Correia, 26, moradora de Santos, esteve na cidade a passeio, em abril deste ano, e apesar do pouco tempo de estadia, apenas o final de semana, demonstrou empolgação para praticar rafting pela primeira vez.  “É muito bom, recomendo pra qualquer pessoa, até minha sogra de 51 anos desceu o rio com a gente”, afirma. Ela conta que antes do treinamento estava receosa com a possibilidade do que poderia acontecer, depois mudou de opinião. “A equipe é profissional e passa segurança”.   Na cidade vizinha, São Pedro, além das cachoeiras a região montanhosa propicia a prática do parapente.

 

 

Equipe superando "medo" durante a prática do rafting

      Rampas naturais são utilizadas e atraem muitos adeptos do vôo livre. O programador de máquinas, Danilo Moraes, 27, conheceu o esporte através da indicação de um amigo. “Na verdade ele me convidou para praticar vôos de asa delta, mas acabei me apaixonando pelo parapente”, conta.


     No esporte há quase três anos, Moraes se sente seguro, pois nunca sofreu nenhum acidente. “A gente houve falar que acontece, principalmente com os iniciantes, mas o equipamento é totalmente seguro e possui pára-quedas reserva”. 
O medo nem sempre está ligado ao esporte. O parapentista confessa ter medo de altura. No entanto, quando voa se esquece de tudo. Diz que sente paz interior e  tranqüilidade.


     O vôo pode ser duplo ou simples, mas sempre necessita de um aparato técnico para se fazer o resgate dos parapentistas. Na maioria das vezes, quem desenvolve este papel são as próprias esposas que ficam de prontidão. “Eles podem cair em qualquer lugar, no mato, no rio, até mesmo em outras cidades e a gente sempre sai na captura”, conta Rosana Alencar, sobre as várias aventuras que já teve que passar no resgate ao marido voador.

  

 Parapente é uma atração para os moradores da região de São Pedro

      O curso para quem pretende iniciar no parapente dura em média três meses, e após a conclusão o aluno ainda recebe o acompanhamento do instrutor durante seis meses. Além do curso, que custa em torno de mil e duzentos reais, ainda precisa do equipamento, que pode custar até oito mil reais.

     Já a prática do rafting é mais modesta. O aventureiro tem que desembolsar cerca de 80 reais para uma atividade que dura de três a quatro horas. Para o instrutor Fabio Ramos Lourenção, conhecido como Fabinho,  Brotas é uma cidade elitizada e atrai públicos de poder aquisitivo maior,.“Vem muita família, casal e também empresas”, afirma.

     Não há restrição, qualquer pessoa pode praticar.O único fator que pode ser impeditivo é o nível do rio. “Se a água sobe demais existe uma lei que proíbe a descida do bote”. O esporte também aceita crianças acima de dez anos ou maiores de 1,20 de altura, o que não impede que uma avaliação do instrutor permita exceções., “Neste caso optamos pelo mini-rafting” completa Fabinho.

      Para quebrar qualquer rotina  

     A correria do dia-a-dia,  preocupação com os deveres a cumprir, além da competição interna com seu próprio companheiro de trabalho. Tudo isso gera desconforto em empresas.

     Como suportar toda essa pressão da melhor forma possível?  Uma ferramenta moderna e inovadora, de desenvolvimento humano e organizacional está disponível no mercado.

     O Outdoor Training é um treinamento vivencial ao ar livre, focado no desenvolvimento e fortalecimento das equipes de trabalho. O intuito é relacionar vivências com atividades de aventura e natureza adaptadas ao cotidiano das empresas.

 


    
Esportes radicais, praticados na terra, na água ou no ar, como rafting, rapel, tirolesa, asa-delta e parapente, são alguns exemplos de atividades aplicadas pelo Outdoor Training. Todos esses desafios realizados ao ar livre se transformam em semelhantes situações dentro da empresa, tais como: integração, liderança, quebra de paradigmas, planejamento e superação de limites. Na cidade de Brotas se encontram várias agências nesse segmento empresarial, que oferecem o serviço.

     Instrutor de rafting há mais de 13 anos, dez voltados ao empresarial, Fabinho Lourenção, bi-campeão mundial do esporte com a equipe Bozo d’água, já presenciou casos de superação do medo com a prática da atividade. “Passamos o treinamento antes de realizar a atividade. Alguns chegam com receio, mas depois que notam a responsabilidade com que o trabalho é feito pelos instrutores, se entregam ao esporte”. Ele considera uma derrota quando algum dos participantes desiste de realizar a atividade. “O trabalho dos instrutores é fazer com que as pessoas superem seus medos, seus limites, principalmente durante o Outdoor training. Sinto-me derrotado quando alguém desiste de fazer o esporte”, comenta Lourenção.

     Para Tânia M. de Menezes, encarregada de RH/Pessoal, o treinamento foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Além de contratar o serviço para a empresa que trabalha, ela também participou. “Nesta área de RH as empresas se conversam, quando me foi solicitado um treinamento de liderança pela diretoria, entrei em contato com um amigo que me indicou o Outdoor em Brotas”.
No caso da empresa onde Tânia trabalha, o trabalho desenvolvido foi com todos os chefes de área, líderes e encarregados, no entanto, existem pacotes disponíveis para todos os setores de uma empresa.

      As práticas propostas em Brotas procuram mobilizar questões como liderança, trabalho em equipe, colaboração, sincronismo e interesse. “Durante as atividades ficou nítido o espírito de competição, de egoísmo. Existiam pessoas que queriam ganhar a qualquer custo e se esqueciam do objetivo do grupo”, comenta Tânia. De outro lado também se conhece um perfil diferente das pessoas com quem se trabalha, elas revelam totalmente descontraídas fora da rotina.  “Queríamos um nome forte para colocar na nossa equipe de rafting e sugeri ‘superação’. Um dos meus chefes logo descontraiu e disse: nossa equipe se chamará chupa que é de uva” , complementa Tânia com risos. 

     Para o crescimento da empresa, ela acredita que se deve cada vez mais investir em atividades neste sentido, buscar a superação e o trabalho em equipe voltados a um único objetivo, pois no dia-a-dia o que se percebe é que muitos dos ensinamento aprendidos no treinamento ficam esquecidos, se tornam coisa de momento., “Quanto mais treinamentos e palestras, melhor. As pessoas tem culturas e instruções diferentes”     

     Já para o crescimento pessoal, Tânia se diz realizada. Superou o medo de água, pois ela não sabe nadar, e principalmente o medo do esporte em si. Uma das tarefas proposta é feita de olhos vendados, o que põe em xeque a “confiança” nas outras pessoas somadas à força interior de cada um para completar o exercício. “Me sinto uma pessoa mais forte, mais corajosa e com muito mais capacidade depois do treinamento”. Na empresa também houve avanços. “Eu já era uma pessoa prestativa, companheira, sempre disposta a ajudar as pessoas, mas o Outdoor me ajudou muito, agora eu sei distinguir quando devo ser amiga e quando devo ser uma líder”. 
     
O técnico de segurança do trabalho, Sidnei Coletti, companheiro de  Tânia na empresa, também participou da atividade e disse que não teve tantas dificuldades quanto a colega, “eu já sabia nadar e para mim não teve muita novidade, já que participei de outros treinamentos, mas foi um dia divertido onde a gente sempre aprende alguma coisa”.  

    Exemplos de superação são encontrados todos os dias, Lia Moraes, coordenadora de uma das agências de Brotas, e envolvida principalmente no fechamento de pacotes com as empresas, conta que já presenciou vários casos. “Muita gente tem medo de água, muita gente tem medo de altura. O caso mais recente foi de uma garota de 25 anos, do treinamento da Schincariol, ela estava procurando algo mais light, só um treinamento, uma trilha de orientação e não queria nada de muito radical. Convidei-a para passar um final de semana em Brotas para conhecer, ela assistiu a palestra, ouviu a orientação do instrutor, e se sentiu totalmente segura para praticar 5 tirolesas que somadas completam 1020 metros de comprimento, à 60 metros de altura, inclusive ela própria filmou sua superação”. 

 

 

Equipe Bozo d'Água- Alaya- Tetra Campeã Brasileiro em 2007

 

 

 

Equipe Bozo d'Água-Mundial 2009

 

 

 
 

Edição: Mayara Banow

 


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