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Casa das Oficinas
20/11/2009
Casa das Oficinas ajuda na recuperação de pacientes do Caps
Em parceria com a Prefeitura de Piracicaba, o projeto reestrutura a vida das pessoas
Rafaela Ometto - 6º Jornalismo
 
Grande quantidade de papel reciclado, tintas, pinceis, azulejos coloridos e muita vontade de viver e aprender. Esse é o cenário visto e percebido de quem entra pela primeira vez na Casa das Oficinas, unidade de Saúde Mental que funciona há 11 anos em Piracicaba e é considerada o local de trabalho de pessoas que precisam de cuidados especiais e se encontram com a rotina desestruturada. Essas pessoas integram os Caps – Centro de Atenção Psicossocial que estão distribuídos em postos I, II (a central), III, AD e infantil na cidade de Piracicaba.
 

Com o auxílio da Prefeitura através da Secretaria de Saúde Mental de Piracicaba, o local, assim como toda a estruturação do Caps, segundo a artista plástica e arte terapeuta Marília Woltz, tem o intuito de fazer a reinserção do paciente na sociedade.
 
“Aqui eles são bem tratados e se tornam importantes na sociedade”, afirma Marília. Além disso, recebem a orientação para executar os trabalhos artesanais, carinho e atenção. Os pacientes  frequentam  a Casa das Oficinas três vezes por semana e realizam trabalhos com papel reciclado na fabricação de cadernos, pastas e bloquinhos, fazem tapetes no tear, mosaico e outros produtos que são vendidos no mesmo local a preço de fábrica. Há também a parceria do Caps com a Selam – Secretaria de Esporte – que cede quadra de futebol e a piscina para hidroginástica; com a ESALQ que realiza a Equoterapia (método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo) e com a Secretaria da Educação que oferece curso de EJA dentro do próprio Caps. As unidades disponibilizam a todo paciente o atendimento médico, orientação sobre higiene pessoal, corte e pintura de cabelo, barba e também, quando necessário, tratamento odontológico.
 
Na unidade do Caps II, segundo a terapeuta ocupacional da entidade, Vandrea Novello, os pacientes recebem acompanhamento com psicólogo, terapeuta ocupacional e técnico de referência, ou seja, alguém que acompanha a evolução e destina às atividades rotineiras que os Caps oferece, inclusive o encaminhamento para a Casa das Oficinas, decisão feita em conjunto com a necessidade e vontade do paciente. Todas as unidades “realiza um trabalho competente e colhe, constantemente, muitos frutos”, afirma Vandrea.
 

Valdemar Aparecido Alves, 47 anos, enquanto pintava sua tela feita de cores fortes feita de  papel reciclado, contou à reportagem do Na Prática que já deu muito trabalho antes de ser acolhido pelo Caps. “Eu bebia 6 litros de pinga todo dia, dormia na rua. Aqui eu “to” no céu”. Com sorriso largo no rosto e mostrando-se satisfeito com sua mudança, ele conta que gosta muito de frequentar  a Casa das Oficinas porque “distrai a mente” e fala envergonhado e com aliança no dedo, que já arrumou uma namorada, que também participa das oficinas. Não alfabetizado Valdemar é de Charqueada e mora com a mãe, portanto viaja todos os dias para Piracicaba com transporte pago pela Prefeitura de sua cidade.
 

A Casa das Oficinas tem seu aluguel e contas mantidos pela Prefeitura de Piracicaba e o material reciclado, azulejo e pastilhas utilizados na montagem do mosaico, assim como os tecidos dos tapetes são provenientes de doações. Marília afirma que é gratificante pessoal e profissionalmente ver a evolução dos pacientes nas aulas de artesanato, além de perceber que o mais importante acontece: eles sentem vontade de freqüentar a Casa e se sentem bem com o tratamento que recebem lá.
 
Edição: Vanessa Haas
 
 

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