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Chile
Chile, o país dos tremores
O terremoto que assustou o mundo em fevereiro foi o segundo mais forte registrado cientificamente
 
Thiane Mendieta- 7º Semestre
 
 
     Chile, sábado, 27 de fevereiro de 2010. Durante a madrugada, o terremoto de 8,8 magnitude atingiu a parte central do território chileno. A capital Santiago tremeu durante um minuto e meio. Esse não foi o primeiro da história do país.
No ano de 1960, Sismo de Valdivia, também conhecido como Grande Sismo do Chile, registrou tremores de 9,5 pontos na escala de magnitude, o mais forte já comprovado cientificamente. O terremoto atingiu a parte centro-sul do país,  em especial as cidades de Valdivia e Concepción.
 
 
     O último tremor no Chile, antes do ocorrido este ano, foi em 8 de maio de 2009, que atingiu as cidades de Valparaíso, Santiago e Coquimbo, com 126 quilômetros de profundidade. Não houve vítimas.

     Apesar do histórico de terremotos e de ser o país da América do Sul que mais sofre com esse fenômeno natural, muitos brasileiros se mudam para o território encravado entre a cordilheira dos Andes e o oceano Pacífico.

     Sites de relacionamento unem esses estrangeiros através de comundades, como o Orkut. Na denominada “ Brasileiros que moram no Chile”, participam  3.186 membros. Já no Facebook, são três grupos com o mesmo nome – um com 604 pessoas, no segundo 200 e no último 111 integrantes. 
   
     A paulista Maritza Moreas, de 42 anos, é advogada e  mora há nove anos em Santiago, com o marido, o chileno Alejandro. “As outras vezes que houve terremoto aqui,meu marido sempre se preocupava com a minha reação, e quando eu estava sozinha sentia algo como um balanço, demorava para saber o que era. No final do ano passado comentávamos com alguns amigos que já era momento de um novo terremoto, pois fazia um tempo que não acontecia”, comenta Maritza, pelo programa de conversação MSN.
 
     A paulista sempre viaja ao país, por isso não sente tanta falta. “Eu sempre estou ai, por isso não chego a sentir muito.Mas se não tivesse como estar, não ficaria aqui”,garante Maritza.

     Outra brasileira que vive no Chile é a manauense Fabiola Monteconrado de 37 anos, que está desde dezembro de 2009 em Valparaiso.  Esse foi o primeiro tremor que Fabiola sentiu. Atualmente a brasileira mora com seu namorado um chileno, e seu filho de 2 anos. “Eu não poderia descrever exatamente o que senti, mas posso dizer que o pior é a sensação de impotência de não saber o que vai acontecer nos próximos segundos”,fala Fabiola.
 
Imagem da Valparaíso após os tremores

      “Nesta madrugada, eu tinha acabado de acordar para olhar meu filho. Quando voltava do quarto dele comecei a sentir o tremor. Esperei o primeiro por uns 15 segundos e não parou. Meu namorado acordou e pediu para eu ficar embaixo da porta. Eles aprendem isso na escola, na aula de primeiros socorros, objetos caiam no chão, e  me assustava com o barulho.Pareceu uma eternidade e foram só cerca de 2 minutos", conta Fabiola.

      Fabiola diz que sente falta do país tropical, principalmente depois do tremor. "Senti falta do Brasil. Nessa hora dá um medo enorme. O pior é que não acaba aí a coisa.Depois disso, tivemos tremor de terra todos os dias.O meu coração acelerava a cada tremor", relata Fabiola.

     Há o inverso também. Famílias chilenas que moram no Brasil ficaram desesperadas a espera de informações, como é o caso de Roberto Espinoza, que está fora de seu país há mais de 30 anos. “Tentei contatar meus familiares através de telefone e internet. Foi desesperador ficar quase 24 horas sem notícias deles, pois estavam sem energia elétrica e telefone para entrarem em contato comigo”, diz o mecânico de 54 anos.

      A jovem Monica Mendieta é filha de chilenos, atualmente mora no Chile, mas morou por cinco anos  no Brasil, e afirma que tem saudade daqui ao sentir os terremotos. “Todos os dias está tremendo.É terrível. Sinto falta do Brasil”, fala Monica.

     Ajuda de vários países chegaram ao Chile, mas também o trabalho dos próprios chilenos foi fundamental. O apoio do Corpo de Bombeiros merece destaque, já que ao contrário do Brasil, na terra dos Andes, é uma atividade não remunerada, são voluntários.A responsável por distribuir os carros para incêndios Nancy Orellana, conta como foi o trabalho durante o tremor. “ Foi um pânico. A população ligava para obter informações, principalmente para saber se havia muitos feridos”, diz Nancy
 

  
Bombeiros dedicam-se durante os resgates
 

    Cientistas da Agência Espacial Americana (Nasa), após estudos, afirmam que o terremoto ocorrido esse ano no Chile pode ter reduzido a duração dos dias na Terra. Segundo informações da Nasa, o terremoto pode ter encurtado a duração de um dia no planeta por cerca de 1,26 microssegundos (um microssegundo é a milionésima parte de um segundo). O dado mais impressionante levantado nos estudos é sobre o quanto o eixo da Terra foi deslocado pelo terremoto. Calcula-se que o abalo sísmico deve ter movido o eixo do planeta (aquele  imaginário sobre o qual a massa da Terra se mantém equilibrada) por cerca de 8 centímetros.

 
Cenas de um prédio durante o terremoto
 
Após o terremoto
 
 
Edição: Mayara Banow
 


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