Painel Online
Tempo passa mais rápido
Especialistas da área explicam o tema e como é tratado na atualidade
Camila Gusmão - 6º Jornalismo
Acordar, tomar banho, tomar café da manhã rapidamente para ir para o trabalho. Em pouco tempo chega a hora do almoço, café da tarde e terminar o dia completamente esgotado. Logo depois o jantar e, muitas vezes, concluir alguns relatórios para entregar no dia seguinte. O relógio bate meia noite e ainda não se conclui todas as atividades diárias: ficaram por fazer as tarefas domésticas.
Nesse ritmo, a sensação é de que o tempo está reduzido. Para o doutor em linguística, Luiz Carlos Borges, o tempo é um fenômeno complexo que até hoje não tem explicação. “Há muitas, parciais e provisórias, tentativas de conceituação.O fato mesmo é que, em relação ao tempo, ficamos ou continuamos na mesma situação de Santo Agostinho ao dizer que cada um de nós tem a impressão de saber exatamente o que o tempo é, mas, quando instados a explicar o que é o tempo, percebemos que nada sabemos”, explica.
Para ele, “a análise da consciência do tempo é uma antiquíssima cruz da psicologia descritiva a da teoria do conhecimento”, como prega o filósofo alemão Edmundo Hussert (1859-1938) em sua obra “Lições sobre a Teoria da Significação”. Borges salienta que todas as culturas dispõem de diferentes formas de imaginar e trabalhar com o tempo. Para exemplificar cita sol pelo céu, o vento e a floração de plantas como alguns dos marcadores do tempo. “Esses símbolos significam a capacidade de um grupo em perceber, compreender e criar formas técnicas para marcar as mudanças que ocorrem em seu meio ambienta”, destaca.
![]() E para a ciência? - O tempo atual, marcado por essa correria do dia a dia, acelerou a noção do passar do dia. Para o filósofo e doutor em educação, Mario Sergio Cortella, não é que o tempo esta passando mais rápido, mas o dia a dia das pessoas esta repleto de ocupações e deslocamentos que não as deixam livres para acalmar a velocidade. “Como confirmou Einstein (Albert Einstein, físico alemão, 1879-1955), o tempo é relativo à velocidade”, frisa.
Na avaliação de Cortella, as características do tempo contemporâneo são maior velocidade das alterações, sensação aguda de esvaimento das horas, dias e anos, turbinamento acelerado das práticas e pensamentos, com ausência de momentos menos superficiais de reflexão e meditação sobre as mesmas práticas. Ainda segundo ele, esses distintivos surgiram pela mudança nos modos de produzir, circular, distribuir e consumir ideias e coisas, resultante de uma exuberância tecnológica inédita, com suportes e plataformas de execução de tarefas que imprimiram uma pressa e uma instantaneidade na vivência cotidiana.
Então esse tempo em que tudo tem prazo e pressa é psicológico? Para o astrônomo Michel Pachini, o tempo é uma questão psicológica, um conceito primitivo, no qual a ciência não tem uma comprovação de nada referente à sensação de que as 24 horas do dia diminuíram em relação a antiguidade, esta por sua vez, é uma sensação cronológica.
Já o pesquisador em histórica da ciência do museu de Astronomia e Ciências Afins do Rio de Janeiro, Luiz Carlos Borges, é o preenchimento do tempo que produz nas pessoas a impressão de que cada dia que passa, mais célebre se torna a passagem do tempo. “Mais do que uma sensação psicológica, trata-se de um fenômeno de origem sociocultural”.
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