16/10/2009 Resíduos de construção civil reestruturam estrada de terra
Alinne Schmidt – 6º Jornalismo
Estrada após reestruturação
Localizada na Avenida Limeira, Km zero da rodovia SP 147, a estrada de terra que leva à Fazenda Areão, estação experimental da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/USP), obteve em sua reestruturação materiais reciclados de resíduos de construção civil (RCD). Além de possuir mão de obra mais barata que o asfalto, proporciona benefícios ao meio ambiente pela utilização de materiais reciclados.
De acordo com o engenheiro agrônomo Luis Fernando Sanglade Marchiori, 45, diretor técnico da fazenda, a obra faz parte do Programa Melhora Caminho, criado pelo governo do Estado de São Paulo e coordenado pela CODASP (Secretaria de Agricultura e Abastecimento e Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo), em 1997. O programa valoriza a readequação de caminhos por onde passam os trabalhadores rurais, a produção agrícola e grande parcela da economia dos municípios paulistas.
“Em média, o valor do metro quadrado para reestruturação de estradas com esses materiais reciclados varia de R$50 a R$100. Já o asfalto, dependendo da metragem da via que será pavimentada, é praticamente o dobro desses valores. Para vias de maior fluxo de veículos, o metro quadrado chega a custar R$1.000”, explica Marchiori.
Três combinações dos materiais utilizados nos 830 metros da entrada da fazenda demonstraram ser ideais: agregado puro (materiais reciclados), 75% de agregado mais 25% de argila e 75% de agregado mais 25% do solo local.
“O material utilizado é triturado e misturado com o solo ou com a própria argila. Eles se unem preenchendo os espaços das partículas trituradas que se desenvolvem com maior estabilidade.”, explica o engenheiro.
Por se tratar de um teste, Marchiori ressalta que a CODASP sugeriu áreas onde houvesse instituições públicas estaduais. Dessa maneira, os engenheiros dos estabelecimentos verificam as questões sobre durabilidade e resistência dessas estradas. O material utilizado foi cedido pela empresa RL Reciclagem, da cidade de Limeira. A Estação Experimental de Tupi e um trecho de 11,9 Km da SP 147, que liga Anhembi a Anhumas, também fizeram parte da melhoria de acesso.
“Foram utilizados na reestruturação da estrada um total de 652,72 toneladas dos resíduos. A CODASP, disponibilizou todos esses materiais gratuitamente para a Fazenda Areão”, informoun Marchiori.
Valdinei Ribeiro de Camargo, 34, auxiliar agropecuário, comenta a melhoria da estrada: “com os trabalhos feitos na estrada, não forma mais barro e lodo porque possui uma estrutura para o escoamento de água. Os motoristas também não precisam se preocupar com os antigos buracos, eles ficam mais seguros”.
A obra teve duração de uma semana e foi executada no mês de maio desse ano.
Edição : Fernanda Zanetti
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