Gislaine Bettin Gustavo Antoniassi 7º Semestre
De Arromba a Rio Branco Esporte Clube: a história do Tigre contada em detalhes Com quase 100 anos de história, RB já teve dois nomes Um estádio particular, uma sede central e uma náutica. Vastas áreas de terra em locais considerados de grande especulação imobiliária. Tudo isso faz do Rio Branco, que está prestes a completar 100 anos, um dos clubes de maior patrimônio no Estado de São Paulo. O Tigre foi fundado em 4 de agosto de 1913, com o nome de Sport Club Arromba. De um time de bar de nome de Arromba, passando por Rio Branco Football Club, até chegar a Rio Branco Esporte Clube, se passaram nove décadas. Nos primeiros anos, o time escolheu o branco e o preto, que ostenta até hoje, para baratear o custo de seus uniformes, já que os coloridos eram mais caros. “Foram momentos difíceis. Tínhamos que arrumar um uniforme e o dinheiro era pouco. Então, como Americana era muito forte no setor têxtil, resolvemos pedir para os empresários tecidos brancos e pretos para formar um jogo de camisas”, revelou o conselheiro vitalício, Ruiter Batistuzzi, que desde a década de 30 acompanha a equipe. No início, seu maior patrimônio era um jogo de camisas e o ideal. Hoje, além de um enorme patrimônio, conta com a tradição, que não tem preço. João Tamborlim (que hoje dá nome à sede náutica do clube), um dos fundadores do Arromba, certamente sonhava com um clube, porém seria incapaz de prever a dimensão que conquistaria. “Teve uma época em que nós do conselho precisamos hipotecar nossa casa, até nossa família, para levantar dinheiro e pagar um empréstimo”, completou Batistuzzi. Com quase 100 anos, o principal marketing do Rio Branco ainda é o futebol, que, de fonte de renda, passou a ser um poço sem fundo de gastos. O pobre futebol do clube respira com a ajuda de aparelhos, mas tem tudo para dar a volta por cima e voltar a tempos de glórias. História Fundado em 4 de agosto de 1913, o Rio Branco Esporte de Clube, de Americana, passou por diversas fases até conquistar seu nome de forma definitiva. Sob o nome de Sport Club Arromba, a equipe americanense teve sua primeira diretoria composta pelo idealizador João Truzzi e mais 26 membros. A primeira mudança de nome do clube foi em 16 de setembro de 1917. Sua diretoria resolveu homenagear o diplomata e historiador brasileiro José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, por suas ações internacionais que tanto defenderam o Brasil. O clube passou então a se chamar Rio Branco Football Club. Algumas décadas depois, exatamente no dia 14 de dezembro de 1961, houve a última e definitiva mudança para Rio Branco Esporte Clube, denominação utilizada até os dias de hoje. Antes de ganhar o nome fixo, o Tigre da Paulista garantiu as primeiras conquistas no futebol. Em 1921, com os títulos de campeão da Região e campeão da Zona Paulista, a equipe iniciou a sua rica trajetória. Porém, as principais glórias foram em 1922 e 1923, com o bi-campeonato do interior. Antes, o Rio Branco Football Club já havia disputado Campeonatos Paulistas de Profissionais, desde a criação, em 1947, da 2ª Divisão da Federação Paulista de Futebol, tendo competido ainda nos anos de 1948, quando começou a vigorar a “Lei de Acesso”, e em 1949. Depois, o Tigre abandonou o profissionalismo, mas continuou jogando nos campeonatos de amadores, isso até 1959, até retornar, em definitivo, em 1979, graças à fusão com o Americana Esporte Clube (AEC). “Lembro que foi uma grande festa na união dois clubes. Certamente, foi a decisão mais correta que poderia ter sido tomado, já que se continuassem sozinhos não acredito que existiriam no dias de hoje”, frisou o conselheiro. Desde então, a equipe jamais abandonou o futebol profissional. Ainda em 1979 participou da Divisão Intermediária. Em 13 de maio daquele ano, sob a direção do técnico Luís Bocucci Filho, realizou seu primeiro jogo amistoso. O adversário foi o Esporte Clube Noroeste. Começava ali a trajetória rumo à primeira divisão do Paulista. Após várias temporadas realizando campanhas regulares, em 1990, o time conseguiu seu maior feito depois dos áureos tempos da década de 20. Com empate em Na década de 2000 começou a pior fase do clube. Cheio de dívidas, após desastradas administrações, a equipe foi perdendo sua força e em 2007, depois de 17 anos na primeira divisão do Campeonato Paulista, acontece o primeiro rebaixamento de sua história. Sem ninguém com coragem na diretoria para administrar o quase falido time, já em Estrutura Segundo o conselheiro-vitalicio, o Rio Branco conta com patrimônio de oito alqueires de terra, somando os espaços onde estão a sede náutica, no bairro Praia dos Namorados, o Estádio Décio Vitta, que fica no bairro São Domingos, além dos quase sete mil metros quadrados da sede social, no centro de Americana. Apesar de rumores que a venda da sede central tenha acontecido, a diretoria atual nega a informação. O clube que já se orgulhou de ter o maior número de sócios do interior de São Paulo, atualmente luta para manter a estrutura. “No ápice, o clube teve cerca de dez mil associados. A arrecadação das duas sedes ajudava a manter o futebol. Com o passar do tempo, os sócios foram se afastando, as situações se inverteram e o futebol passou a subsidiar os gastos das sedes náutica e social”, revela Batistuzzi. Atualmente, o Rio Branco tem pouco mais de 500 sócios. A maioria ostenta o título de sócio-emérito. Estádio Décio Vitta Com uma história curiosa, em março de 1920 o Rio Branco Football Club emitiu 200 ações, no valor de dez mil réis cada, para que associados e torcedores colaborassem com o projeto da construção de um estádio. A idéia por anos não prosperou. Em 1954, o então Americana Esporte Clube cedeu seu campo de futebol ao Governo do Estado de São Paulo, que construiu uma escola pública no local, e na troca, o governo cedeu um novo terreno ao clube. Mas somente em 1971 o projeto, de autoria do engenheiro Nestor Lindenberg, tomou forma. O estádio começou a ser erguido no mês de abril daquele ano. A construção terminou em 1977, e o estádio foi inaugurado 1º de maio deste ano, com o nome de Riobrancão. O jogo inaugural foi disputado no mesmo dia, quando o Americana E.C. bateu o Taubaté por Porém, o fato mais curioso no estádio do Tigre da Paulista aconteceu neste ano, quando o Rio Branco não pôde disputar nenhuma partida no local, após veto do Corpo de Bombeiros e Policia Militar. Endividado, o clube está prestes a passar a manutenção do DV à Prefeitura de Americana. Cerca de R$ 20 mil são gastos por mês para manter o estádio em boas condições. A proposta foi aceita pelo prefeito Diego De Nadai, que recentemente enviou Projeto de Lei à Câmara dos Vereadores para municipalização do estádio. Dimensões do gramado: Recorde de público: 19.173 - Rio Branco 1x0 São Paulo - 09/03/1993 -Campeonato Paulista - Capacidade atual de público: 15.000 pessoas |
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