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HQtrônicas
Painel Online 
Quadrinhos: na tela em um clique 
Disponibilização gratuita de HQs na web alimenta debate sobre futuro dos quadrinhos impressos
Ângela Silva - 6º Jornalismo 
 
 
Foto: Ângela Silva  
Para Gon, HQs on line atingem uma gama muito maior de leitores
 
De painéis com passagens bíblicas da Idade Média às tiras de nanquim sobre papel que conquistaram as livrarias e o cinema, as histórias em quadrinhos são caracterizadas por unir a escrita à linguagem pictórica. Mas uma outra geração de HQs propõe trazer mais do que isso. Criadas para o ambiente digital, as chamadas “HQtrônicas” se popularizam no Brasil em 2001, com a disseminação do plug-inFlash, e se apóiam em recursos multimídia, tais como animação, trilha, efeitos sonoros, narrativa multilinear e interatividade com o leitor.
 
Lançadas como promessa de segunda geração dos quadrinhos, as HQtrônicas estão em um momento de transição. A maioria dos sites dedicados às histórias em quadrinhos, utiliza de forma tímida as possibilidades de interação que a web proporciona.
 
O Núcleo de Histórias em Quadrinhos(NHQ) é uma editora independente fundada em 2008, com sede em Americana, e publica trabalhos de quadrinistas de todo o Brasil, tanto por meio impresso quanto eletrônico. O idealizador do projeto e editor-chefe, Adriano Gon, explica que o site disponibiliza títulos em formato CBR, vinculado ao software Cdisplay, que permite a exibição de material escaneado na tela cheia do computador, sendo que o leitor usa as setas do teclado para passar as páginas. Gon atribui a pouca exploração dos recursos multimídia à acessibilidade incipiente. “Nem todos os internautas tem banda larga e, nesse caso, as possibilidades do criador ficam limitadas”, explica.
 
Em contato com o mundo dos quadrinhos desde os 10 anos de idade, quando criou o primeiro personagem, Thunderman, Gon acredita que a divulgação de quadrinhos na web é uma maneira rápida de alcançar o leitor. “Serve como uma ponte entre autor, leitor e editora, pois é um espaço aberto a críticas, o que muitas vezes possibilita a adequação da linha editorial e até a criação de novos rumos à história”, afirma. Ele enumera as vantagens das HQs online: “Baixo custo de produção e de distribuição, maior alcance, custo zero para o leitor, interação”.
 
 Divulgação
 Personagem Thunderman, primeira criação de Adriano Gon
 
Já nos anos 80, os quadrinistas começaram a utilizar softwares de desenho para as primeiras experiências de arte seqüencial criadas virtualmente. Hoje, é comum nos estúdios o uso de efeitos especiais e colorização com o apoio da informática. Camilo Riani, ilustrador do jornal Folha de S. Paulo, da revista Veja e professor licenciado do curso de publicidade e propaganda da Unimep, conta que utiliza o computador como uma das ferramentas de acabamento e a internet como meio de divulgação, postando a produção impressa em seu blog, mas é enfático quanto a sua preferência: “Falando como leitor, me sinto muito mais identificado com o papel”.
 
Designer de multimídia e ilustrador do Estúdio Tris, em São Paulo, Felipe Vitti, vê a internet como uma oportunidade para as mudanças na produção de quadrinhos, mas considera que as HQtrônicas ainda estão engatinhando e pouco se definiu sobre como explorar os recursos disponíveis. “A internet é mais um canal de publicação e leitura das histórias em quadrinhos, como a mídia impressa ainda é”, afirma Vitti, que também é co-autor das tiras de humor “Big & Bill”, publicadas no Jornal de Piracicaba de 2003 até maio deste ano.
 
Para Camilo Riani, é inegável que as possibilidades das HQtrônicas são maiores, em termos de visibilidade, multiplicação e participação mais dinâmica e direta do leitor. “Há recursos ligados a animação que são impossíveis no suporte impresso, mas essas vantagens não significam necessariamente maior qualidade artística, nem de conteúdo”. Riani, que também é presidente do Salão Universitário de Humor de Piracicaba, diz apostar na veia artística e no repertório cultural para obter um bom resultado no caso de qualquer linguagem visual.
 
 
Arte (des)virtuada

 

 

 
Divulgação Divulgação
Editora NHQ disponibiliza títulos online 
 
 

Enquanto as HQtrônicas são proclamadas por alguns como prováveis revolucionárias do mercado, outros profissionais destacam a queda de qualidade da arte diante da incorporação de elementos secundários.

 

Felipe Vitti, que em 2005 produziu o trabalho de conclusão de curso “Web Novel – uma releitura dos quadrinhos para a web”, para a faculdade de Tecnologia em Design de Multimídia, acredita que a própria gratuidade das publicações online pode gerar a queda de qualidade dos trabalhos, visto que os profissionais irão buscar nichos mais rentáveis, enquanto que a web seria o espaço prioritário dos amadores. “O mercado de HQs não está ameaçado pela internet porque essa questão envolve qualidade do material. Antes de discutirmos quem vai tomar o lugar de quem, as HQtrônicas precisam ser um produto que cative os olhos de investidores”, afirma Vitti.

 

Camilo Riani também alerta para o perigo de se cair em linguagens sem personalidade na web. “A gigantesca facilidade para se produzir e difundir essa arte pode resultar em produções pasteurizadas. O ritmo de leitura é diferente para a internet e o artista deve avaliar isso”, aconselha.

 

A queda da venda de HQs nas bancas não está relacionada à divulgação online, é o que afirma Adriano Gon. “O futuro das HQs impressas ainda é incerto, mas acredito que não será a internet que irá trazer a sua extinção”. Ele admite que a web também é um espaço aberto ao experimentalismo. “A NHQ revelou muitos talentos, mas sabemos que muitos não conseguirão chegar ao profissionalismo”, compara. Mas ele não acredita que as HQtrônicas devem ser menos valorizadas que as impressas: “Ignorar a proposta das HQs online como arte é parar no tempo”, finaliza o ilustrador.

 

 

Navegue nas HQs!

 

 

 
Baixe a HQ Magnum Negro, de Haeckel Almeida, Rodrigo Vinícius e Adriano Gon. 

 

 

Divulgação
 
Para visualizar a HQ, baixe o arquivo CBR.
Leia os títulos online do siteNHQ na seção Títulos Online.
 
 

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