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Nova lei
Painel Online 
Adoção como um ato de esperança
Casais acolhedores é uma alternativa para adoção de crianças e adolescentes
 
Patrícia Elias da Silva - 6º Jornalismo
 
Foto: Patrícia Elias
 
Vilma com Ryan em momento de descontração
 
A nova lei de adoção que entrou em vigor em novembro de 2009 trouxe mudanças no processo de adoção de crianças no Brasil. A lei limita principalmente quanto ao tempo de espera das crianças em abrigo que não pode ser mais de dois anos e a adoção de menores que são irmãos pela mesma família. Tudo isso para amenizar a enorme fila de crianças e adolescentes na espera de uma família, assim como reduzir a quantidade de casais que aguardam por uma criança.
 
O desejo de adotar pode surgir também em casais que já tem filhos, como é o caso de Sidney e Vilma Parpineli que sempre sonharam em ter um filho homem, mas após três tentativas tiveram somente meninas. A iniciativa de adotar surgiu por parte de Sidney quando suas filhas já eram adolescentes. “Ninguém da família acreditava que iríamos adotar. Só lembro que o Ryan é adotado quando as pessoas falam do assunto”, conta Vilma.
 
O casal ficou quatro anos na fila de espera até conseguir adotar Ryan, que tinha 45 dias quando foi entregue ao casal. Hoje, ele tem um ano e dez meses. Apesar do processo de adoção ser demorado e rígido, para o casal valeu a pena esperar. A mãe diz que “Ryan foi um presente para nós, preencheu o nosso vazio, não sinto que ele não seja meu”.
 
O medo de adotar uma criança também está presente na vida de um casal. Um dos medos de Vilma é pensar qual vai ser a reação dele quando souber que é adotado, mas já decidiu que não haverá tabu para contar a Ryan sobre sua história.
 
Quando uma pessoa deseja adotar uma criança o primeiro passo é recorrer ao cartório de menores e dar entrada na documentação que deve ser apresentada e não buscar outras alternativas para a adoção. “Todo o processo legal é feito através do Fórum, mas sugerimos que as pessoas procurem os grupos de adoção para troca de experiências”, diz Benedita Ferreira, assistente social do Fórum de Piracicaba,
 
Segundo a assistente social, até há uns cinco anos a busca por bebes era maior e agora os casais estão procurando crianças que tenham em média dois anos, isso graças a uma conscientização gerada sobre o assunto e que vem derrubando preconceitos nas pessoas. “É preciso continuar conscientizando sobre a importância da adoção e também de não esconder sobre a história de vida da criança. O filho biológico pode ser um acidente, mas o filho adotivo é escolhido, fruto de um desejo. A criança adotiva é filho do coração” defende Benedita.
 
Uma das alternativas para a adoção de crianças e principalmente adolescentes são os casais acolhedores que recebem temporariamente as crianças e oferecem uma estrutura até poderem retornar a família de origem.  São casais que abrem as portas de suas casas e o coração para acolherem crianças que dificilmente seriam adotadas por causa da idade, por serem irmãos ou possuírem alguma doença.
 
Célio e Lucia, casados há 26 anos, têm três filhos biológicos e 15 crianças acolhidas em sua casa. “Sempre amei crianças, trabalhei 12 anos em pré-escola, mais dentro do meu coração sempre tive um sonho de poder fazer algo para as crianças necessitadas de amor e de ajuda. Somos muito felizes e realizados nesse chamado de entregar nossas vidas para gerar novas vidas”, diz Lucia.
 
 Foto: Patrícia Elias
Lucia e Célio com os seus filhos acolhidos
 
Muitas das crianças que estão com o casal são irmãos que estavam em abrigos e encontravam dificuldades para serem adotados. Dentre as crianças que moram com o casal quatro foram adotadas pelo casal, que tem ainda a guarda definitiva de mais seis crianças.
 
O casal não encontra dificuldades no relacionamento dos filhos biológicos com as crianças acolhidas, ao contrário eles ajudam muito os pais a cuidarem dos irmãos. “A relação entre os meus filhos biológicos é de total aceitação. As crianças fazem a parte da vida deles também, tendo eles como irmãos, e vivemos como uma família normal, só que com muitos filhos. Tudo é em perfeita harmonia e com amor” conta Lucia.
 
A casa não funciona como abrigo, mas como uma verdadeira família, tanto que o casal é chamado de pai e mãe. As crianças vão á escola e têm uma vida normal. A rotina da casa é agitada principalmente na hora de levá-los á escola. O casal precisou de uma Kombi para o transporte de todos. “Não sinto diferença alguma entre acolher e adotar. O que muda é no papel, pois tenho todos como filhos. Claro que isso é extinto de mãe, e sou muito realizada por isso”, diz Lucia Cristina.
 
O casal faz parte do Projeto Rahamin (palavra hebraica que significa um amor profundo e entranhado da mãe para com seu filhinho) que tem como objetivo diminuir o tempo de permanência das crianças e adolescentes em abrigo, inserindo-os em uma família acolhedora.
 
Para o juiz Rogério de Toledo, da Vara da Infância e Juventude de Piracicaba, os casais acolhedores representam uma resposta para a fila de crianças que esperam nos abrigos da cidade para a adoção. “Muitas delas já passaram da idade que seriam adotadas por um casal convencional que geralmente prefere os bebes”, salienta o juiz.
 

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