Busca
Aumentar fonte  Diminuir fonte  Indicar esta página  Imprimir esta página
shows no bar

09/10/2009
O começo da carreira num cenário de bar

Clareana Marrafon – 8º Jornalismo

 
Os pais da jornalista Clareana Marrafon guardam o convite de um dos primeiros shows
 
 
Fim de tarde, algumas mesas colocadas na parte de fora do bar que fica na beira da pista em Iracemápolis. O movimento na Rodovia Limeira Piracicaba ainda era grande, talvez devido ao jogo que estava acontecendo atrás do bar, ou porque a pista ainda nao tinha pedágio, ou talvez porque a dupla que estava se apresentando tinha um carisma que já conquistava quem a ouvia, essa é uma das poucas imagens que tenho gravada na memória.
 
A dupla? Edson e Hudson, até então conhecida por poucos, já que se apresentava somente onde seu pai Beijinho a levava. Minha mãe, Cleusa Marrafon da Silva, proprietária do bar junto a meu pai, Geraldo Lopes da Silva, conta que o show era feito praticamente de graça. ¨A gente dava uma rifa, de caixa de cerveja ou frango, eles vendiam esses números. O que vendiam era deles¨, conta minha mãe.
 
Eu ainda era muito nova, tinha 6 anos, sempre estava no bar. Os doces me atraím e me atraem até hoje, mas nesses dias de shows sempre tinham crianças para eu brincar, já que, apesar do ambiente adulto, as apresentações eram bem familiares.
 
            Meus pais tinham amizade com o Icao, que na época era amigo e depois se tornou produtor dos irmãos. Certa vez, após mais um show, lembro que estava em casa e ouvi um violão, percebi que dessa vez não era apenas meu pai tocando e que tinha mais gente junto. Quando saí para ver quem era, me deparei com os sertanejos, que na época, não eram os famosos Edson e Hudson de hoje, e sim colegas do meu pai que apreciavam mais uma das composições que o Sr. Geraldo costumava fazer.
 
            Na época, eu não prestava muita atenção nos aparelhos de casa, móveis, entre outras mobílias, mas notei que tinha um objeto ¨indefinido¨ no meu quarto. Havia uma caixa preta, pouco menor que eu, com alguns botões. Após muitos anos me falaram que o tal “objeto”, era uma caixa de som e que tinha sido da dupla. Quando foi desvendado o mistério da caixa preta, a dupla não fazia tanto sucesso, mas já deu para causar uma certa inveja quando contei na escola, rs!
 
 
Após anos, a jornalista reencontra a dupla no camarim do 25º Rodeio de Limeira
 
            Em 1998, eu já estava com 7 anos e lembro que fui em um show, num salão, o qual não tenho vagas lembranças. Recordo que as mesas e toalhas eram brancas, também havia um telão. Trajando um terno roxo, num tom bem “roxo defunto” mesmo, o apresentador Marcelo Costa apresentava a dupla que eu já conhecia do bar do meu pai. Todos os familiares e amigos aplaudiam e dançavam ao som da dupla que logo mais seria prestigiada nacionalmente.
 
            Foi em 2002 a última vez que tive contato com Edson e Hudson. Minha família e eu estávamos numa gravadora em Limeira, onde acontecia um culto evangélico. Sem querer, o Edson abriu a porta e logo pediu desculpas, um pouco sem graça e saiu. Meu pai o encontrou outra vez nessa mesma gravadora. ¨Fui acompanhar a gravação das minhas músicas e encontrei com o Edson, ele disse que estava vendo uns arranjos, e ainda brinquei, mas quem é bom nisso é seu irmao¨ lembra .
 
            Passei a ver a dupla no Programa Raul Gil. Ouvi a música ¨Te quero para mim¨ e ¨Festa Louca¨ nas rádios e, conforme os sertanejos lançavam sucessos, os shows e fãs aumentavam. Quando eles se apresentam na região, tento assistir. Já perdi as contas de quantos shows já fui, acredito que seja em torno de sete. Nesse último show feito em Limeira, no 25º Rodeio da cidade, pude entrar no camarim. Não tenho certeza se o Edson me reconheceu, ele não disse nada, mas me olhava como se me conhecesse de algum lugar. Posso estar “viajando”, pois faz 10 anos desde a ultima vez que nos vimos, mas enfim, foi essa a impressao que tive.
 
            Durante o show, pude ouvir sucessos antigos que lembraram minha infância. Muitas recordações passaram por minha cabeça, trazendo fragmentos de cada fase da minha vida. Um sentimento estranho, talvez melancólico, me fez lembrar que estive no primeiro show oficial da dupla e, naquele momento, estava no último, na mesma cidade onde tudo começou.
 
Edição: Samanta Marçal – 6º Jornalismo
 

Site criado com o sistema Easysite Empresarial da eCliente.
ECLIENTE INFORMÁTICA