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Sem limites para viver
Atletas de Piracicaba portadores de deficiência se superam a cada dia  
 
Vanessa Haas - 6º Jornalismo 
  
Foto: Vanessa Haas
Atletas PPDs de Piracicaba, atentos à orientação do técnico da equipe de basquete
 
A atleta Letícia Peres Farias Serezuello não imaginava como sua vida iria se transformar por causa de um acidente de carro. Ela tinha 10 anos de idade, quando descia da caçamba caminhonete de seu tio e um carro desgovernado bateu atrás do veículo, sua perna esquerda ficou prensada entre as ferragens. Após o resgate, ela viu que sua que perna ficou “moída” 20 cm abaixo do joelho, além de haver um buraco na coxa da perna direta e fratura exposta no joelho direito.
 
 
Em uma cirurgia de sete horas, os médicos tentaram fazer ligamentos na perna destruída e colocaram pino no joelho direito. Após alguns dias, o pé esquerdo começou a ficar preto, ou seja, iniciava um processo de gangrena. Letícia teve que amputar a perna esquerda até a altura do joelho. A cirurgia evitou que a gangrena se espalhasse pelo corpo.
 
 
Com o joelho direito recuperado, ela saiu do hospital em uma cadeira de rodas e após dois meses passou a andar de muletas. “Foi como aprender a andar de novo”, conta Letícia. Seguidos sete meses de fisioterapia, ela foi aprender a andar com a perna mecânica. “A dor era forte, a perna mecânica fazia machucados na minha coxa, mas mesmo assim eu insistia em usá-la”, explica a atleta, que conseguiu  andar de bicicleta, jogar futebol e até dançar com o apoio do aparelho.
 
 
Quando a perna mecânica precisou ir para o conserto, o medo tomou conta de Letícia. Ela sentia vergonha de entrar na escola sem uma perna e ser o centro das atenções. Mas, como sempre preferiu o estudo foi para escola mesmo assim. “Percebi que eu me escondia atrás dela (perna mecânica), era uma questão de estética e não por ser boa para locomoção”, enfatiza. Depois desse episódio Letícia nunca mais usou a perna mecânica.
 
 
Foi então que ela conheceu o projeto Clarear da Prefeitura de Piracicaba e se envolveu na carreira esportiva. Atualmente, com 25 anos, ela é presidenta da AAPP (Associação dos Amigos e Paradesportistas de Piracicaba), atleta nas modalidades basquete sobre rodas, atletismo e natação PPD (pessoas portadoras de deficiência). “Perder a perna foi a melhor coisa que me aconteceu. Aprendi a ver o mundo e as pessoas de uma forma diferente. Se Deus não me limitou, ninguém mais o fará”, conta com um sorriso.
 
 
Outra história de superação é da também atleta, Flávia Teles de Souza Bonatto, deficiente física há um ano e meio. Em agosto de 2008, ela teve sua perna esquerda esmagada em um acidente de moto, o que a levou a amputá-la (além de uma fratura exposta do fêmur esquerdo). “No inicio eu andava de cadeira de rodas, mas isso não durou nem 20 dias”, lembra. Aos poucos, passou a se locomover com o andador e a treinar basquete sobre rodas. Ela só pôde jogar em janeiro desse ano porque teve princípio de necrose na perna que sofreu a amputação. Hoje, ela integra a equipe de natação, basquete sobre rodas e atletismo PPD. “No atletismo, nos Jogos Abertos deste ano, fiquei em quarto lugar no arremesso e ganhei medalha de ouro nas provas de corrida e de prata na natação. Na classificação geral ficamos em 3º lugar!”, conta com entusiasmo.
 
 
Foto: Vanessa Haas
 
Flávia Teles: Ouro na corrida e prata na natação 
 
Os atletas deficientes de Piracicaba se destacam nas competições nacionais. Os treinos acontecem de terça à sábado, o que garantiu à equipe PPD conquistas significativas nos Jogos Abertos deste ano, que acontecerem na cidade de São Caetano do Sul. Ao todo foram 19 medalhas no atletismo e 22 medalhas na natação. Agora, as meninas do time de basquete foram convidadas para a seletiva da Seleção Brasileira de Basquete em São Paulo, e também para uma seletiva da Seleção Brasileira de Vôlei Adaptado. “Piracicaba se orgulha muito de ter esse trabalho em desenvolvimento, por ser referência regional no paradesporto, com conquistas importantes nas competições oficiais”, diz Pedro Mello, secretário de Esportes, Lazer e Atividades Motoras de Piracicaba.
 
 
A Secretaria de Esportes, Lazer e Atividades Motoras de Piracicaba (Selam) desenvolve um projeto destinado às pessoas com deficiência, o Clarear, que possui locais para as atividades, professores especializados, estagiários e equipamentos específicos. Além das atividades esportivas, foi realizada uma parceria com as entidades e instituições que atuam nesse segmento com objetivo de viabilizar atividades de rotina e também eventos, como as Olimpíadas Especiais que congregam todas as entidades para uma confraternização e competição esportiva anual.
 
   
De acordo com Pedro Mello, é fundamental para uma política de esporte nos municípios, que o segmento das pessoas com deficiência tenha a prática do esporte, lazer e atividade física garantida. “Além do esporte de competição, contribui para o desenvolvimento da modalidade paraolímpica no país, e também para a inclusão social”, avalia. A Selam está construindo uma piscina adaptada e aquecida no Complexo Esportivo “Barão de Serra Negra”, que atenderá cerca de 300 pessoas que participam do Projeto Clarear.
 

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