03/11/2009
XV de Piracicaba completa 96 anos e tenta resgatar sua história
Leonardo Moniz Ribeiro – 6º Jornalismo
O estádio municipal Barão da Serra Negra é palco dos jogos do primeiro clube a conquistar o título de campeão do interior paulista, do clube que revelou ao futebol o campeão mundial em 1958, De Sordi. A tradição do Esporte Clube XV de Novembro, o Nhô Quim de Piracicaba, mantém-se viva, mas as glórias alvinegras existem apenas na memória do torcedor piracicabano.
Atualmente, o clube disputa a terceira divisão do Campeonato Paulista e a Copa Paulista. Endividado fora das quatro linhas e mal das pernas dentro de campo, o XV completou em novembro 96 anos na tentativa de resgatar sua história.
Uma das atividades que marcou a comemoração quinzista foi a visita dos atletas da divisão de base, que disputam em janeiro a Taça São Paulo de Futebol Junior, ao arquivo esportivo do jornalista Delphim Ferreira da Rocha Netto, considerado por especialistas como o mais completo acervo futebolístico de um clube no país. O arquivo Rocha Netto tem anotadas todas as estatísticas das partidas do XV desde 1913, ano de fundação do alvinegro.
O lateral esquerdo Érico, que já atuou na equipe profissional e sabe das responsabilidades que traz a camisa zebrada, foi um dos que estiveram presentes. “É muito importante conhecer o clube, nos ajuda a entender a história que defendemos”, reconhece.Durante a visita ao arquivo Rocha Netto, localizado no Centro Cultural Martha Watts, em Piracicaba, nomes que marcaram a história alvinegra foram recordados. O lendário atacante José Maria Cervi, o Russo, recebeu como homenagem da diretoria quinzista placas e uma camiseta com seu nome. Russo é conhecido por um suposto gol marcado contra o Santos, em 1949. No lance, o ex-atleta afirma que cobrou escanteio, correu até a grande área e cabeceou para o gol. “Dei um chutão para cima e como estava ventando muito a bola demorou a cair. Fui correndo com tudo e cai com a pelota dentro do gol”, diz. Russo defendeu o XV por três temporadas.
O outro homenageado, o ex-zagueiro Idiarte Massariol, vestiu o preto e o branco por quase 20 anos. Símbolo de entrega e raça, Idiarte, que foi laureado não ta errado, mas é um verbo em desuso... com placas e uma camiseta com o número 3 às costas, é considerado por especialistas como um dos maiores atletas que atuaram pela equipe piracicabana.
Marlon, uma raridade no futebol contemporâneo
Se no futebol atual raras vezes um atleta permanece por muito tempo num clube, o meia-atacante Marlon é uma exceção. O atleta, há quatro anos no XV, recebeu uma camiseta com o número 180 às costas – quantidade de partidas que disputou pelo clube. “É uma satisfação enorme. Me identifico muito com clube e com a cidade. Fico lisonjeado com essa lembrança. Quem sabe meu filho não joga aqui um dia”, declarou. À torcida quinzista, resta esperar que o filho de Marlon vista a camisa zebrada com a equipe de volta à elite do futebol.
Edição - Camila Gusmão
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